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domingo, 25 de novembro de 2012

Dia 25 de novembro dia Internacional da não Violência contra a Mulher

Seis anos após a promulgação da Lei Maria da Penha, o Brasil tem demonstrado esforços no combate à violência contra a mulher, e o número de denúncias vem aumentando, mas a maioria ainda esbarra em um velho obstáculo que beneficia os agressores: a impunidade.

A legislação que foi sancionada em 2006 é considerada modelo internacionalmente e leva o nome da ativista cearense que ficou paraplégica após ser baleada pelo marido, que a espancou por mais de dez anos.

O serviço Ligue 180, criado na mesma época da promulgação da lei, recebeu quase 3 milhões de ligações nos últimos seis anos, sendo 330 mil denúncias de violência, algo interpretado por especialistas como um sinal de que cada vez mais mulheres vêm utilizando este canal em busca por justiça.

Mas analistas avaliam que, na prática, o que impede o avanço do país rumo à eliminação da violência contra a mulher é o Judiciário, que ainda processa os casos com muita lentidão. Além disso, muitos juízes ainda tratam a questão com preconceito e machismo, primando por tentativas de conciliação mesmo diante das evidências de abusos, dizem pesquisadores da área.

Também há indícios de uma morosidade do governo nas esferas municipal, estadual e federal em agilizar a estruturação da rede de atendimento à mulher prevista pela lei.

MAIS VIOLÊNCIA

Enquanto isso, estatísticas recentes mostram uma tendência de aumento da violência.

Segundo um levantamento do Instituto Sangari, baseado em dados obtidos de certidões de óbito e da Organização Mundial de Saúde (OMS, ligada à ONU), o Brasil acumulou mais de 90 mil mortes de mulheres vítimas de agressão nos últimos 30 anos.

Em 1980 eram 1.353 assassinatos deste tipo por ano, e em 2010 a crifra saltou para 4.297. Além disso, o Brasil fica em 7º lugar no ranking dos países com mais mortes de mulheres vítimas de agressão.

Algo que Eleonora Menicucci, ministra chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), órgão do governo federal, classifica como "lamentável".

"É realmente lamentável que o Brasil ainda esteja na 7ª posição neste ranking. Eu gostaria que a gente nem aparecesse, mas creio que todas as nossas políticas públicas impactam este cenário e que estamos no caminho certo", disse em entrevista à BBC Brasil.

IMPUNIDADE

Para Wania Pasinato, socióloga e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP, as estatísticas soam como um alerta de que a lei não está sendo aplicada como deveria e que o país falha em não reduzir mais o sofrimento e as mortes de milhares de brasileiras.

"A gente diz o tempo todo para essas mulheres denunciarem a violência, mas nada é feito. O Estado não reage à essa denúncia, ou se reage, fica apenas no papel. Essa ineficiência cria um cenário de impunidade muito perverso", diz.

Já a ministra Eleonora Menicucci argumenta que na visão do governo federal o combate à impunidade é importante e configura a segunda etapa do esforço para conter a violência.

Mas ela admite que é "ponto pacífico" que existe uma "morosidade enorme nos processos".

Na metade deste ano a SPM lançou a campanha "Compromisso e Atitude no Enfrentamento à Impunidade e à Violência contra às Mulheres", focando no Ministério Público e Conselho Nacional de Justiça.

"Temos duas frentes: mudar a mentalidade da sociedade e do Judiciário. São os juízes que vão dar velocidade aos processos e audiências", explica, acrescentando que "o Brasil é um país muito grande, as culturas e os procedimentos são muito diferentes".

Ela destaca, no entanto, que entre julho de 2010 e dezembro de 2011 em todo o país foram realizadas 26.410 prisões de agressores, 4.146 detenções preventivas e que mais de 685.905 processos de agressão contra mulheres estão tramitando em cortes brasileiras.

O Observatório Lei Maria da Penha, ligado à Universidade Federal da Bahia (UFBA), que monitora a aplicação da lei em todo o Brasil, diz que ainda há muito machismo e preconceito entre delegados e juízes, que tendem a classificar a violência contra a mulher como um assunto de foro íntimo, relegado a um segundo plano diante de outras questões.

"Há casos de mulheres que denunciam o agressor e esperam mais de seis meses por uma audiência, e o juíz ainda tende a ignorar a gravidade da denúncia e primar pela conciliação e a retirada da queixa. Sobretudo no Nordeste, vemos até o assédio de policiais contra as mulheres no momento da denúncia, quando elas estão fragilizadas", diz Márcia Tavares, uma das pesquisadoras do grupo.

Wania Pasinato acredita que o Judiciário brasileiro simplesmente não está preparado para aplicar uma legislação de proteção à mulher.

"Eles veem apenas a dimensão criminal. O posicionamento de juízes e da segurança pública precisa ser modernizado. É necessário haver mais esforço, o que não está acontecendo. Muitos magistrados desconhecem totalmente a lei".

ESTRUTURA

Um dos aspectos mais elogiados da lei Maria da Penha é o fato de que a legislação vê a violência contra a mulher não só como um problema criminal mas também social.

E para agir com mais eficiência rumo à uma transformação real da cultura de dominação machista e agressão, o texto da lei prevê a criação de uma rede de atendimento composta por diversas esferas, entre elas juizados especiais e abrigos onde as mulheres podem ficar seguras após fazer denúncias.

Mas até mesmo a SPM reconhece que essa estrutura ainda está muito aquém do necessário.

"É realmente verdade, infelizmente. A rede de proteção e as delegacias especiais são estaduais, já as casas-abrigo são municipais. Estamos propondo que os juizados sejam regionais, para melhorar essa estrutura", diz a ministra Eleonora Menicucci.

Ela explica que a SPM repassa recursos federais aos Estados a cada quatro anos, quando ocorre um acordo mediante a apresentação de projetos. No ciclo atual, apenas três Estados já renovaram suas verbas (Distrito Federal, Paraíba e Pará), recebendo um total de R$ 29,9 milhões. Os outros estão pendentes.

A pesquisadora da USP Wania Pasinato diz que os investimentos para que a rede seja de fato ampliada e que "a maioria das tentativas têm fracassado".

"Fica difícil transformar esse direito formal em um atendimento concreto sem essas estruturas previstas pela lei".

Para a socióloga, o alto número de assassinatos de mulheres no país é um alerta de que a lei, de fato, não está sendo aplicada como deveria, e que a sociedade brasileira ainda precisa avançar para aceitar o fato de que "bater em mulher" é crime.

"Passamos por muitas transformações e o papel da mulher foi alterado de forma muito radical no país. Temos uma presidente mulher, algo muito simbólico. São mudanças que a nossa cultura machista ainda não conseguiu absorver e que ameaçam os homens com a mentalidade dominadora".

Fonte: FOLHA.COM | BBC BRASIL



terça-feira, 11 de setembro de 2012

Grupo que estuprou e ateou fogo em mulher pode ser sentenciado à morte nos EUA


Montagem/Muskingum Sheriff Department/AP Photo
Katrina Culberson, Monica Washington e LaFonse Dixon estão sendo julgados pela morte de Celeste Fronsman, em Ohio


Duas mulheres e um homem torturaram mulher que foi encontrada próximo à rodovia
Duas mulheres foram indiciadas pela morte de uma mulher em Ohio, nos Estados Unidos. Celeste Fronsman, de 29 anos, foi encontrada queimada e ainda com vida próximo a uma rodovia na cidade de Columbus. Celeste estava nua e com um cinto amarrado em volta do pescoço e, segundo o jornal americano New York Daily News, “agonizando” no local onde foi encontrada.
Katrina Culberson e Monica Washington eram acusadas de homicídio agravado, sequestro e incêndio culposo agravado, já que as mulheres atearam fogo no corpo da vítima, que mostrava também sinais de tortura.
LaFonse Dixon, um homem que também estaria envolvido no caso, foi preso mas não foi indiciado pela morte de Celeste. No próximo julgamento, os três podem ser condenados a pena de morte, punição permitida em alguns Estados dos EUA.
Um dos motoristas que estavam passando pela rodovia viu a mulher no caminho, em uma cena “que parecia de um show de horrores”. Segundo o homem, que não foi identificado, Celeste se atirou em seu carro e pediu ajuda.
Apesar de estar com cerca de 80% do corpo queimado, Celeste conseguiu conversar com o homem e contou que havia sido espancada e estuprada. Celeste foi levada para o hospital da Universidade do Estado de Ohio, onde ela morreu dois dias depois.
De acordo com investigadores, Celeste conhecia as três pessoas que a atacaram. Segundo o Daily News, a mulher já havia sido presa cerca de 20 vezes desde 2003, inclusive por posse de cocaína e violência doméstica. Celeste também estaria envolvida com prostituição.
Matt Lutz, xerife do condado local, afirmou que o ataque foi “o pior que já vi em 23 anos” trabalhando como xerife. A investigação continua e os três acusados aguardam o julgamento final.
Fonte: http://noticias.r7.com/internacional/noticias/grupo-que-estuprou-e-ateou-fogo-em-mulher-pode-ser-sentenciado-a-morte-nos-eua-20120911.html

terça-feira, 3 de abril de 2012

Delegacia da Mulher, em Curitiba, recebe 30 denúncias por dia.

Em 2010 foram mais de dez mil denúncias de maus-tratos.
Sete mil e quinhentos inquéritos estão parados na capital.
A Delegacia da Mulher, em Curitiba, recebe, em média, 30 reclamações diárias, segundo um levantamento feito pelo órgão. Em 2011 foram mais de dez mil denúncias de maus-tratos contra mulheres. Sete mil e quinhentos inquéritos estão parados na capital.
"A importância do registro e da denúncia é impedir que as situações se agravem", relata a delegada Maritza Hais.
Uma mulher que denunciou recentemente, e que preferiu não se identificar, afirma que cansou de apanhar. "Quero dar um basta nisso porque eu não vou ficar pro resto da minha vida deixando acontecer o que está acontecendo e ficar aguentando a situação", disse.
O Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou em fevereiro deste ano uma mudança na Lei Maria da Penha. A partir de agora, o Ministério Público (MP) pode abrir a ação após a apresentação da queixa, o que garante a continuidade do processo. Antes disso, a lei permitia inclusive que a queixa feita pela mulher agredida fosse retirada.
A Lei Maria da Penha foi criada em 2006 e protege mulheres contra a violência doméstica.